Como introduzir alimentos que podem causar alergia no bebê?

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O assunto de hoje é alergia alimentar!

Nos últimos anos, parece que as alergias estão mais comuns, você notou? As pessoas parecem falar mais sobre esse assunto e, felizmente, as orientações a respeito também estão se espalhando. Mas talvez isso te faça pensar que alergias são muito comuns e talvez você até tenha medo de oferecer alguns alimentos ao seu filho…

E aqui eu quero começar te tranquilizando.

Leite de vaca (mais especificamente, a proteína do leite de vaca), ovo, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar estão entre os alimentos mais frequentemente associados às alergias alimentares na infância. É importante lembrar que a recomendação do Ministério da Saúde é a amamentação exclusiva até os 6 meses, complementada até os 2 anos ou mais; a menção ao leite de vaca aqui se refere ao seu potencial alergênico — ou seja, à alergia à proteína do leite de vaca (APLV) — e não a uma orientação para oferecer leite de vaca durante a introdução alimentar. Mas isso não significa que a alergia a esses alimentos seja comum. Eles são os alimentos mais comuns entre aqueles que causam alergia, mas a maioria das crianças não desenvolverá uma alergia alimentar.

Um estudo brasileiro recente, que avaliou mais de 14 mil crianças menores de 5 anos, encontrou diagnóstico de alguma alergia alimentar em 4,6% das crianças. Ou seja: mais de 95% das crianças avaliadas não tinham diagnóstico de alergia alimentar.

Então, sim: alergias alimentares existem, algumas podem ser graves e precisamos saber como agir diante delas. Mas não precisamos olhar para os alimentos alergênicos como alimentos perigosos que obrigatoriamente devem ser evitados.

E essa é uma informação especialmente importante durante a introdução alimentar.

Hoje já sabemos que adiar a introdução dos alimentos alergênicos não é uma estratégia para prevenir alergias. Pelo contrário: a introdução desses alimentos ainda no primeiro ano de vida, de forma adequada e segura, pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver alergia alimentar.

Então, se o seu bebê está começando a comer, vamos falar sobre quando, como e de que maneira oferecer esses alimentos — sem medo, mas também sem descuidar da segurança.

Quais são os alimentos alergênicos?

É possível ter alergia a praticamente qualquer alimento. Alguns, porém, aparecem com muito mais frequência entre as alergias alimentares:

  • leite;
  • ovo;
  • soja;
  • gergelim;
  • trigo;
  • oleaginosas;
  • amendoim;
  • peixes e frutos do mar.

Quando oferecer?

A recomendação atual é aproveitar o período de introdução alimentar, por volta dos 6 aos 9 meses, para apresentar também os alimentos alergênicos.

Isso não significa que você precise oferecer todos de uma vez. Muito pelo contrário.

A introdução deve ser feita de maneira organizada para que você consiga observar o bebê e identificar facilmente uma possível reação.

Mãe segurando prato e colher Kuka. Prato possui ovos mexidos.

Como introduzir os alimentos alergênicos?

1. Escolha um dia em que o bebê esteja bem

Não faça a primeira oferta de um alergênico quando o bebê estiver gripado, com febre ou passando por alguma doença.

Isso porque alguns sintomas de uma doença podem se confundir com sinais de uma reação alérgica.

2. Comece com uma pequena quantidade

Na primeira vez, não é necessário oferecer uma grande porção.

Comece com uma pequena quantidade do alimento. Além de ser suficiente para fazer a exposição, isso permite que você observe o bebê com mais tranquilidade.

E lembre: o objetivo da primeira oferta não é fazer o bebê comer um pratão daquele alimento. É apresentar o alimento.

3. Ofereça no começo do dia

Essa é uma daquelas dicas simples que fazem toda a diferença.

A maior parte das reações alérgicas imediatas acontece nos primeiros minutos ou nas primeiras duas horas após a ingestão. Por isso, é muito mais tranquilo fazer uma primeira oferta pela manhã ou no início do dia, quando você terá tempo para observar o bebê.

4. Introduza um alergênico de cada vez

Na primeira exposição, ofereça apenas um novo alimento alergênico.

Assim, se aparecer alguma reação, fica muito mais fácil saber qual alimento pode ter sido responsável.

E, de preferência, faça essa primeira oferta em casa, e não em um restaurante, na creche ou durante um passeio.

5. Depois que foi tolerado, continue oferecendo

Uma das partes mais importantes é esta: não basta oferecer uma vez.

Depois que o alimento foi tolerado, ele deve continuar fazendo parte da alimentação regularmente.

A exposição sustentada aos alimentos alergênicos é justamente uma das estratégias associadas à redução do risco de alergias.

E se meu bebê tiver uma reação?

Aqui precisamos falar de sinais de alergia para que você saiba o que observar.

Uma reação alérgica pode aparecer na pele, no sistema respiratório ou gastrointestinal.

Entre os sinais de uma reação mais leve estão:

  • coceira no nariz ou na boca;
  • nariz escorrendo e espirros;
  • coceira na pele;
  • algumas placas avermelhadas e empoladas;
  • náusea ou desconforto gastrointestinal.

Já sinais como falta de ar, chiado, tosse repetitiva, palidez ou coloração azulada, inchaço de lábios, rosto ou língua, muitas urticárias, vômitos repetitivos ou letargia exigem atendimento médico imediato.

Existe ainda um tipo diferente de reação, chamada FPIES (Síndrome de Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar). Diferentemente das reações imediatas, ela pode aparecer algumas horas depois da ingestão e costuma envolver vômitos repetitivos, letargia, palidez, diarreia e desidratação.

Por isso, se você observar uma reação importante, não espere para ver se vai passar. Procure atendimento médico.

Meu bebê teve alergia. Isso significa que ele terá alergia para sempre?

Não necessariamente.

Essa é outra coisa que muitas famílias não sabem: uma alergia alimentar na infância não significa obrigatoriamente uma alergia para o resto da vida.

Algumas alergias são superadas conforme a criança cresce. Por isso, quando existe uma alergia diagnosticada, o acompanhamento com pediatra e alergista é tão importante.

Em determinado momento, a equipe pode avaliar se é seguro fazer uma nova exposição ou um teste de tolerância de maneira supervisionada.

E isso é especialmente importante porque, quando um bebê apresenta alergia, é muito comum que os pais fiquem com medo e acabem retirando muitos alimentos da alimentação.

Não faça isso por conta própria.

Uma criança com alergia precisa continuar tendo uma alimentação variada e rica dentro do que é seguro para ela. Restringir alimentos sem necessidade pode empobrecer a alimentação e até contribuir para aversões alimentares.

Para terminar: não tenha medo da comida

Introduzir alergênicos pode dar medo. Afinal, estamos falando do nosso bebê e de uma reação que pode, em alguns casos, ser grave.

Mas a informação ajuda a transformar medo em cuidado.

Não precisamos excluir os alimentos alergênicos da alimentação para tentar proteger nossos filhos. Precisamos aprender quando, como e de que maneira oferecê-los, observando o bebê e respeitando suas necessidades individuais.

E se o seu bebê tem dermatite severa, alergia alimentar já diagnosticada ou algum outro fator de risco, essa introdução merece uma orientação individualizada.

Converse com o pediatra e, quando necessário, com um alergista e um nutricionista especializado em nutrição materno-infantil.

A introdução alimentar não precisa ser uma coleção de medos e proibições. Ela pode — e deve — ser um momento de descoberta, aprendizado e construção de uma relação tranquila com a comida.

Este conteúdo é uma colaboração com a Kuka Baby, que acompanha as famílias também nesses pequenos momentos de descoberta à mesa. 🤍

Nota: As informações deste conteúdo sobre alimentos alergênicos referem-se à fase de introdução alimentar complementar, que tem início a partir dos 6 meses. A amamentação continua sendo a base da alimentação do bebê nessa fase — o Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementado até os 2 anos de idade ou mais.

Referências 

  1. FREITAS-COSTA, N. C. et al. National Prevalence and Sociodemographic Disparities of Food Allergy in Brazilian Children Under Five Years: Findings From the ENANI-2019 Survey. Journal of Human Nutrition and Dietetics, v. 39, n. 4, e70309, 2026. DOI: 10.1111/jhn.70309. PMID: 42410702.
  2. OLIVEIRA, L. C. L. et al. Atualização em Alergia Alimentar 2025: posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, v. 9, n. 1, p. 5-96, 2025. DOI: 10.5935/2526-5393.20250003.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Diretrizes e recomendações do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos: documento de evidências. 1. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. ISBN 978-65-5993-642-7.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Documentos científicos – Departamento Científico de Alergia e Imunologia. Sociedade Brasileira de Pediatria.
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