2 anos sem açúcar: como manter o bebê longe do açúcar nos primeiros dois anos

É possível comemorar, oferecer comida gostosa e preparar receitas especiais sem oferecer açúcar ao bebê. Mas, na prática, como fazer isso durante dois anos inteiros?

A recomendação do Ministério da Saúde é evitar açúcar e alimentos ou preparações que contenham açúcar até os 2 anos de idade. Isso inclui açúcar branco, mascavo, demerara, açúcar de coco, mel, melado, rapadura e xaropes.

E quando a gente fala isso para uma mãe, é muito comum surgir a pergunta:

“Mas como eu vou fazer isso na vida real?”

Porque açúcar está em todo lugar. No bolo de aniversário, no biscoito da lancheira, no iogurte, no cereal, no pão, no suco, na sobremesa da família…

A boa notícia é que manter o bebê sem açúcar não significa oferecer uma alimentação sem graça ou viver em uma bolha. Separei algumas dicas para te ajudar nesta missão com leveza e praticidade.

1. Não ofereça açúcar como ingrediente

A primeira dica parece óbvia, mas é a mais importante: não coloque açúcar na comida do bebê.

Frutas não precisam de açúcar. Mingau não precisa de açúcar. Iogurte natural não precisa de açúcar. E uma receita de bolo para o bebê também não precisa necessariamente levar açúcar.

Isso vale para todos os tipos de açúcar adicionados, inclusive aqueles que parecem mais “naturais”, como açúcar mascavo, de coco, melado, rapadura e mel.

Natural não significa que está liberado antes dos 2 anos.

2. Aprenda a olhar a lista de ingredientes

Não basta procurar apenas a palavra “açúcar”.

Ele pode aparecer com outros nomes, como:

  • xarope de glicose;
  • xarope de milho;
  • maltose;
  • sacarose;
  • dextrose;
  • maltodextrina;
  • mel;
  • melado;
  • açúcar invertido.

Por isso, quando for comprar um produto para o bebê, vale olhar a lista de ingredientes, e não apenas a tabela nutricional ou a embalagem da frente.

E aqui entra uma regra que facilita muito a vida:

quanto menos produtos ultraprocessados fizerem parte da alimentação do bebê, menos você precisará ficar procurando açúcar escondido. Não ofereça ultraprocessados ao bebê!

3. Prefira a fruta inteira ao suco

Fruta e suco de fruta não são a mesma coisa.

Para crianças menores de 2 anos, o Ministério da Saúde recomenda não oferecer sucos, mesmo naturais. E mesmo depois dos 2 anos completos, o suco deve ser limitado a 100-120 mL por dia! A orientação é oferecer a fruta inteira! 

Além de preservar melhor as fibras e a textura do alimento, isso ajuda o bebê a conhecer os diferentes sabores e consistências da comida. E para matar a sede, desde o início da alimentação complementar, água é a bebida que queremos incentivar.

4. Não precisa substituir açúcar por outro adoçante

Quando a família decide retirar o açúcar, às vezes surge a ideia de usar mel, melado, açúcar de coco ou adoçantes para manter o mesmo sabor doce.

Mas, para menores de 2 anos, não é esse o caminho.

A ideia é justamente deixar que o bebê conheça os sabores naturais dos alimentos e participe da formação do próprio paladar.

Quando adoçamos tudo, mesmo usando ingredientes considerados mais “naturais”, estamos mantendo a preferência pelo sabor doce como referência. E o bebê ainda está construindo suas referências alimentares.

Ele não precisa que o abacate seja adoçado para gostar de abacate. Não precisa de açúcar no maracujá para descobrir que aquela fruta pode ser deliciosa. Se ele conhece os alimentos em seus sabores naturais, esses sabores passam a fazer parte do que ele considera gostoso.

Por isso, em vez de tentar encontrar um substituto para o açúcar, podemos simplesmente não adoçar.

Em receitas, podemos usar ingredientes naturalmente doces, como frutas, quando fizer sentido para a preparação. E, no dia a dia, oferecer os alimentos como eles são.

Não estamos apenas tirando o açúcar. Estamos dando à criança a oportunidade de aprender a gostar da comida de verdade.

5. “Mas ele não vai sentir falta do açúcar?”

Essa é uma preocupação muito comum dos pais.

Mas pense em uma coisa: o bebê não sabe que está “perdendo” o açúcar que nunca experimentou.

Ele não olha para um maracujá e pensa: “Nossa, isso seria muito melhor se tivesse açúcar!”

Ele está descobrindo os sabores do mundo pela primeira vez.

E é justamente por isso que podemos encontrar cenas maravilhosas na introdução alimentar: um bebê feliz comendo maracujá puro, conhecendo sua acidez, ou comendo abacate sem açúcar, descobrindo aquele sabor e aquela textura.

Para nós, adultos acostumados com alimentos muito doces, um abacate sem açúcar pode parecer “sem graça”. Para o bebê, aquele é simplesmente o sabor do abacate.

Ele ainda não tem a nossa referência de “isso está doce o suficiente”. Está construindo suas experiências alimentares.

Por isso, não precisamos adoçar a comida para que ela seja gostosa para ele.

Não precisamos ensinar o bebê a gostar de açúcar. Podemos ensiná-lo a gostar da comida.

É claro que isso não significa que uma criança que come açúcar antes dos 2 anos ficará “viciada” em doce ou que uma criança que não come açúcar jamais gostará de doces. A formação do paladar é muito mais complexa do que isso.

Mas temos uma oportunidade: durante os primeiros anos, podemos construir uma alimentação em que o sabor natural dos alimentos seja suficiente — e o açúcar não seja necessário para tornar a comida gostosa.

6. Tenha receitas sem açúcar à mão

Essa é uma das estratégias que mais facilita a vida.

Porque, quando chega o aniversário, o café da manhã especial ou aquele lanche de fim de semana, você não precisa improvisar.

Tenha algumas receitas que sua família já gosta e que não levam açúcar adicionado: bolos, panquecas, muffins, biscoitos e outras preparações.

Assim, “sem açúcar” deixa de parecer uma restrição e vira simplesmente uma das formas como vocês cozinham em casa.

Inclusive, trouxe a receita do bolo de chocolate que costumo dar aos meus pequenos em dias especiais! Foi o primeiro bolo de aniversário de dois dos meus filhinhos!

Bolo de chocolate sem açúcar para bebê

Massa

INGREDIENTES

  • 12 ovos
  • 6 colheres (sopa) de óleo de coco
  • 1½ xícara de água ou leite vegetal
  • 3 xícaras de tâmaras sem caroço
  • 1½ xícara de farinha de amêndoas ou coco ralado
  • 12 colheres (sopa) de cacau em pó
  • 6 colheres (chá) de fermento químico em pó


PREPARO

Bata os ovos, o óleo de coco, a água ou o leite vegetal e as tâmaras até obter uma mistura homogênea.

Acrescente a farinha de amêndoas ou o coco ralado e o cacau e misture bem.

Por último, acrescente o fermento e misture delicadamente.

Divida a massa em duas formas de 20cm e leve ao forno preaquecido a 180°C por aproximadamente 30 a 35 minutos, ou até que esteja assada.

Deixe esfriar completamente antes de desenformar.

Recheio

  • 500 mL de creme de leite fresco
  • 6 a 8 colheres (sopa) de geleia sem açúcar
  • frutas vermelhas picadas

Bata o creme de leite fresco até obter um chantilly leve.

Misture delicadamente a geleia.

Corte cada bolo ao meio, formando quatro camadas.

Monte alternando massa, creme e frutas vermelhas.

Cubra com o restante do creme e decore com frutas frescas.

Para uma versão totalmente sem leite, substitua o creme de leite fresco por leite de coco de lata (sem o soro) batido.

Dois anos sem açúcar não precisam ser dois anos sem graça.

Talvez essa seja a parte mais importante.

Evitar açúcar até os 2 anos não significa que seu filho nunca poderá comer bolo, que a família precisa abandonar as comemorações ou que toda comida de criança precisa ser sem sabor.

Significa aproveitar essa fase para construir uma alimentação baseada principalmente em alimentos in natura e minimamente processados, deixando o açúcar fora da rotina.

E, quando chega uma ocasião especial, podemos cozinhar.

Podemos adaptar. Podemos fazer um bolo. Podemos comemorar.

Sem açúcar também pode ser gostoso. 🤍

Escrito por Marina Morais.
Nutricionista, Escritora, Influenciadora e Mãe.

Facebook
X
LinkedIn

Museu é lugar de criança, sim!!

Se já é difícil pensar em equilibrar pediatra, natação, escola, casa dos avós, passeio no parque,...

3 segredos para montar uma lancheira que as crianças realmente comem

Como nutricionista e mãe de 4, eu sei bem como é frustrante fazer um lanche caprichado...